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Fotos Páscoa – 2014

História

Numa noite muito fria de garoa, com temperatura por volta de 4ºC, e eu em meu carro com ar condicionado ligado no quente, pois mesmo com o carro todo fechado, estava realmente muito frio e ao parar no semáforo da Rua Amaral Gurgel,  fui abordado por um senhor de aproximadamente 60 anos, que vestia apenas uma camiseta rota e uma bermuda. Fiquei chocado pois fazia muito frio. Então resolvi parar o carro e ajudá-lo. Depois de trocar a roupa molhada, incluindo sapatos e um sobretudo, esse senhor me olhou fixamente e disse em tom solene: “VOCÊ É UM ANJO DA NOITE”. Discordei, mas agradeci o elogio. Continuando minha trajetória para casa, aquela frase ecoou em minha mente durante todo trajeto, ficando o semblante de gratidão e alegria daquele senhor gravado em minha mente. Ao chegar em casa, adormeci e sonhei que estava no mesmo local onde doei as roupas e vi-me dando comida e roupas a muitas pessoas. Aquele senhor me olhava e continuava dizendo: “Você é um Anjo da Noite”. Acordei sem esquecer o acontecimento durante o sono. Resolvi chamar alguns amigos e sair às ruas para distribuir alimentos. Fizemos uma sopa muito suculenta para aproximadamente 100 pessoas e fomos na Rua Amaral Gurgel para distribuí-lo. Nunca mais paramos pois foi tão importante e gratificante que resolvemos adotar o nome sugerido pelo Ancião citado. Passamos a arrecadar com nossos amigos, familiares e vizinhos, alimentos, roupas, calçados, agasalhos e cobertores para que dessa forma pudéssemos diminuir, pelo menos um pouco, o sofrimento dos nossos irmãos e famílias carentes que vivem e dormem nas ruas, nas noites frias de nossa cidade. Fria não só de temperatura, mas de calor humano que teima em se dissipar no agitado mundo das metrópoles. Mas esses desafortunados não precisam somente de comida para o sustento do corpo. É necessário alimentá-los na alma. Não precisam somente de água para lhes matar a sede, pois têm sede de vida. Não somente de um cobertor para cobri-los nas noites frias, pois buscam abrigo no respeito e no carinho. Não só necessitam do relacionamento social, pois carecem da humana troca sadia. Não apenas serem ouvidos, é preciso entendê-los. Não só lhes falar ou cumprimentar é importante, e de bom grado incentivar e esperançá-los, é necessário fazê-los sentir a vida, e que vale a pena viver. Talvez seja errado falar “esses desafortunados”. Talvez fosse mais justo dizer “nós, desafortunados”. Isso mesmo, nós! Afinal do que são feitas as cidades? São feitas de pessoas, e o conjunto de pessoas convivendo em um espaço comum formam uma aglomerado que é conhecido como metrópole, todo o resto serve de infraestrutura para realizar e melhorar a convivência entre seus integrantes, ou seja, dinheiro, casas, lojas, ruas, avenidas, praças, parques, carros e todo o resto que compõe a paisagem urbana servem apenas para amenizar os atritos do relacionamento humano, portanto, nós somados a tudo isso formamos um único elemento, que se movimenta o tempo, o que caracterizamos como “vida”. Mas parece que é feito o contrário: ao invés de melhorar a convivência humana, estamos nos afastando uns dos outros; e estamos tão envolvidos nesse ritmo frenético que mal percebemos o que estamos fazendo, mal percebemos que estamos perdendo a noção do que significa a palavra cidadania, que muito além de uma palavra, é um conjunto de ações feitas por um cidadão, que obviamente vive nas cidades, feita de seres humanos, é claro; portanto, cidadania é a prática da humanidade. O resultado dessa “não prática” é o que muitos chamam de refugo social, carentes, desfavorecidos, excluídos, marginalizados… Nós não os vemos assim. Chamamos de pessoas em dificuldade precisando de ajuda. E as ruas, um lugar não muito bom para se morar. Portanto, se não praticamos a cidadania, somos realmente dignos do título de cidadãos? Quem é que está marginalizado? Quem é o carente? Quem pode dizer-se responsável? Quem é digno do título então… Humano? Um abraço Kaká Ferreira...

Sobre o Anjos da Noite

Fundado por Kaká Ferreira e José Amato, o Núcleo Assistencial Anjos da Noite realiza o trabalho desde 22 de agosto de 1989. É composto por pessoas de todas as idades, de várias denominações religiosas que voluntariamente doam, além do seu tempo, alimentos, roupas, agasalhos, calçados, cobertores e principalmente amor. Uma simples refeição, um agasalho e uma palavra amiga são os ferramentas fundamentais para possibilitar o resgate da autoestima objetivando a sua reintegração social. “Sempre teremos algo a oferecer e a receber” A carência dos recursos materiais das pessoas em situação de rua não as tornam menos cidadãos. São eles que devem ter prioridade no senso de fraternidade que propicia momentos de reflexão sobre os valores da vida, hoje tão banalizada. Portanto, ser um Anjo da Noite nada mais é do que agir na direção da solidariedade para a formação de um mundo mais justo e feliz, razão pela qual o Grupo Anjos da Noite vivencia, entre outras, a seguinte premissa: “Todos os Problemas são Problemas de Todos”. Seja bem-vindo Kaká Ferreira...

Missão

Trabalhar pelo resgate da autoestima das pessoas em situação de rua, a fim de possibilitar a sua reintegração social....

Onde Atuamos

Atuamos nas seguintes regiões:   Região 25 de março Rua Carlos de Sousa Nazaré, Av. Senador Queirós, Rua da Cantareira (próximo ao mercadão de São Paulo) e mediações. Região Pátio do Colégio Entre o quadrilátero da Rua Boa Vista, Largo do Café, Largo São Francisco, Praça da Sé.   Distribuição média de 800 refeições por sábado....

Trajetória

A trajetória do Núcleo Assistencial Anjos da Noite   1989 – Nascimento do Anjos da Noite, criada por Kaká Ferreira e José Amato. O trabalho teve início com um grupo de 12 colaboradores e no final do ano contava com um número de aproximadamente 100 voluntários. O Grupo passou a funcionar provisoriamente na casa dos irmãos Reginaldo e Kaká, onde está até hoje por empréstimo até que se consiga uma sede própria. No mesmo ano foi comprado o primeiro fogão industrial em diversas prestações. Utensílios e fogão doméstico eram usados na preparação da sopa oferecida às pessoas em situação de rua no centro da cidade de São Paulo. 1991 – Aquisição do primeiro Freezer horizontal – pago com ticket refeição numa loja de Supermercado da extinta rede Paes Mendonça. 1992 – Compra do primeiro automóvel usado que se tornou mascote do Anjos da Noite. Foi pago com a colaboração dos voluntários, em 24 parcelas, sendo muito comemorada devido à grande vitória da aquisição desse bem ao auxílio da casa e trabalha firmemente até os dias de hoje. 1993 a 1998 – Em 1993 foi realizada a primeira refeição em formato de praça de alimentação aos moradores em situação de rua, após a doação de diversas mesas e cadeiras por uma Senhora do interior de São Paulo. Foi um marco para os anjos da noite, pois era a forma de mostrar a igualdade junto aos moradores de rua. 1998 – A chegada da mídia. A TV Globo através da produção do programa Globo Repórter, fez um documentário sobre o trabalho realizado pelo Anjos da Noite. 2003 – Mudança de estilo de trabalho devido políticas da prefeitura. Começamos a entregar as marmitas de mão em mão percorrendo as ruas centrais da Capital de São Paulo. 2008 – Participação no programa Mais Você, programa da Rede Globo apresentado por Ana Maria Braga. 2011 – Participação no programa Interação Social na TV Mundi. 2012 – O Núcleo conta com o apoio de aproximadamente 250 voluntários. Com essa força de trabalho, atende 800 pessoas em média semanal....